Mitos e realidade da Osteoartrose

Mito 1. A dor é um sinal de alerta - As cartilagens não têm sensores de dor nem nervos, por isso, não doem. A dor durante a prática de exercício não é, consequentemente, um sinal de mais danos articulares, e não é Dormotivo para se preocupar, desde que a dor seja aceitável. Na verdade, o exercício sem dor é provavelmente inexistente, quando se inicia a sua prática. Qualquer dor que surja durante o exercício deve desaparecer dentro de 24 horas, ou então, terá exagerado. Tente aprender a sentir a diferença entre os músculos doridos e outra dor. Se ainda tiver dor 24 horas após o treino, tente uma menor intensidade na próxima hora ou um período mais curto de tempo. Também é importante lembrar que a dor na osteoartrose é flutuante, e o que funciona bem numa altura pode causar muita dor noutra e vice-versa, o que é completamente normal. Aprenda a reconhecer a resposta das suas articulações e do seu corpo numa fase inicial, e ajuste a dose, intensidade e duração da atividade ou exercício, até poder manter a dor num nível aceitável. 

DescansoMito 2. O descanso é bom - Se evitar mover-se quando dói, há um grande risco de perder a mobilidade e força necessárias à sua vida diária).
O corpo adapta-se rapidamente a qualquer atividade, ou inatividade, ou seja, se realizar menor esforço na sua vida diária, menos energia terá e menos esforço é necessário, para que sinta dor. Por isso, uma boa regra é, aprender a lidar com a dor e interpretá-la de acordo com a regra da dor "aceitável" (ver Mito 1). 

Dor mais dorMito 3. A dor deve ser combatida com dor - O facto de insistir e continuar a treinar, apesar da dor, pode levar muitas vezes a um aumento gradual da mesma, contudo deve distinguir entre a dor muscular causada pelo exercício e a dor da osteoartrose (veja o Mito 1). Aprenda a reconhecer e a interpretar a sua dor. 

 

Mito 4. O exercício causa posteriormente danos à articulação - Não há evidência de que o exercício de intensidade moderada tenha um impacto negativo sobre a cartilagem na osteoartrose. Pelo contrário, Exercíciotem sido demonstrado em vários estudos em animais e estudos esporádicos em humanos, que aqueles que praticam exercício de nível moderado, têm uma melhor qualidade da cartilagem, do que aqueles que permanecem inactivos. Exercício de competição, ou seja, treino intensivo ou exercício quase diário, pode levar a um risco aumentado de desenvolvimento da osteoartrose. Um fator explicativo é que as lesões ocorrem mais frequentemente nos desportos de competição e as lesões articulares são um fator de risco identificado da osteoartrose. 

Mito 5. Um ruído de “ranger” nas articulações é causado por um aumento da cartilagem - O facto de ouvir Osso a rangerum “ranger” não é perigoso e na maioria das vezes não faz mal. Tal pode dever-se à quantidade e qualidade do líquido sinovial não ser tão bom como deveria. Também pode ser porque a cartilagem articular tornou-se como uma “franja” e áspera como uma lixa, em vez de uma superfície lisa. Quando as superfícies articulares, friccionam umas nas outras, podem ranger. Em casos graves de osteoartrose, em que não há qualquer cartilagem articular sobre as articulações, pode surgir um som abafado de atrito de osso contra osso, em vez de cartilagem contra cartilagem.

Mito 6. As articulações deterioram-se cada vez mais até se desgastarem totalmente - ArticulaçõesExistem diversas razões pelas quais uma pessoa pode ter osteoartrose, e a doença pode variar de pessoa para pessoa. A doença avança por fases ou recaídas, ou seja, um período de mais dor e sintomas e, é seguido por um período de menos ou nenhuns problemas. Estas recaídas podem ser de diferente duração e gravidade variável. Em algumas pessoas, a doença pára completamente e os problemas podem até mesmo desaparecer. É difícil dizer, com antecedência, qual o prognóstico individual. A osteoartrose tem uma evolução mais rápida nos indivíduos obesos e naqueles que têm músculos fracos.

Traduzido por Ana Ribeiro da publicação ”From research to action! Physical activity and exercise in rheumatic diseases”, editada pela Liga Sueca (The Swedish Rheumatism Association).

Artigo publicado no Boletim nº 49 (Julho a Setembro de 2013)